Existe uma palavra que já custou o processo de imigração — e o dinheiro — de milhares de brasileiros nos Estados Unidos.
A palavra é notário.
No Brasil, um notário é uma autoridade. Cartório, fé pública, formação jurídica, concurso. Quando um brasileiro recém-chegado vê a placa “Notary Public” num escritório em Orlando, Boston ou Dallas, ele lê aquilo com os olhos de casa: “aqui tem alguém que entende de lei.”
Não tem.
Nos Estados Unidos, um notary public é uma pessoa autorizada a fazer basicamente uma coisa: testemunhar que você é você na hora de assinar um papel. Na maioria dos estados, virar notary public exige um curso de poucas horas e uma taxa. Zero formação jurídica. Zero autorização para dar conselho sobre imigração.
Essa confusão de tradução é tão séria e tão disseminada que o próprio USCIS e a American Bar Association mantêm campanhas oficiais contra ela — a chamada notario fraud. É a fraude número um cometida contra imigrantes latinos no país.
Os quatro papéis — e o que cada um pode fazer de verdade
1. Advogado de imigração (immigration attorney)
É licenciado por uma state bar — no Texas, a State Bar of Texas. Pode fazer tudo:
- dar conselho jurídico sobre a sua situação
- escolher a estratégia e o formulário do seu caso
- representar você perante o USCIS, o EOIR e os tribunais
- assinar o formulário G-28 como seu representante legal
É a única figura que pode olhar para a sua história e dizer “no seu caso, o caminho é esse”. Se a sua situação tem qualquer complexidade — entrada irregular, processo anterior negado, antecedente criminal, prazo vencido — é com um advogado que você fala. Ponto.
2. Representante credenciado pelo DOJ (DOJ-accredited representative)
Não é advogado, mas é credenciado pelo Departamento de Justiça e vinculado a uma organização reconhecida (geralmente sem fins lucrativos). Pode dar orientação e representar imigrantes perante o USCIS dentro do escopo do credenciamento.
É uma figura legítima e importante — e muita gente não sabe que ela existe. Vale procurar, especialmente se o custo for uma barreira.
3. Paralegal
Prepara documentos sob orientação do cliente. Organiza evidência, preenche formulário, confere campo por campo, cuida de tradução e de prazo.
O que o paralegal não faz — e isso não é modéstia, é a lei:
- não dá conselho jurídico
- não escolhe a estratégia do seu caso
- não decide qual formulário é o certo para a sua situação
- não representa você perante o USCIS
Um paralegal honesto vai te dizer exatamente isso na primeira conversa. Um paralegal que promete resultado, ou que te diz qual visto “é o seu”, está cometendo prática não autorizada da advocacia — e você é quem paga a conta depois.
4. Notary public
Testemunha assinatura. Só isso.
Um notary public que se apresenta como quem “resolve imigração”, que cobra por “consultoria” ou que preenche seu formulário dizendo que sabe o que você precisa está agindo ilegalmente. Não é zona cinzenta. É crime em vários estados.
Os sinais de alerta — todos eles vêm da mesma família
Não importa como a pessoa se apresenta. Se você ouvir qualquer uma destas frases, saia:
- “Aprovação garantida.” Ninguém — nem o melhor advogado dos Estados Unidos — pode garantir a decisão do USCIS. Quem garante, mente.
- “Eu tenho contato lá dentro.” Não tem.
- “Paga tudo adiantado, em dinheiro, sem contrato.” Sem recibo e sem escopo escrito, você não tem nada.
- “Assina aqui, eu preencho depois.” Nunca assine um formulário em branco. Nunca.
- “Não precisa guardar cópia.” Precisa. De tudo.
- “Deixa os originais comigo.” Seus documentos originais são seus. Sempre.
O roteiro do golpe é quase sempre o mesmo: taxa alta cobrada na frente, promessa fácil, e silêncio quando o problema aparece. Enquanto isso, o prazo corre, o formulário errado é protocolado, e o estrago às vezes é irreversível.
Como você se protege — na prática
Pergunte, sem constrangimento: “Você é advogado licenciado, representante credenciado pelo DOJ, ou paralegal?” Um profissional sério responde na hora, sem rodeio, e coloca por escrito.
Verifique. A licença de advogado é pública — dá para consultar na state bar do estado. Credenciamento do DOJ também é lista pública.
Exija escopo escrito. O que vai ser feito, por quanto, em quanto tempo, e o que não está incluído.
Guarde tudo. Cópia de cada página que você assinar, recibo de cada pagamento, número de rastreio de cada envio.
Onde a Prime se encaixa nisso
Vamos ser diretos, porque é exatamente esse o ponto do texto.
A Prime Immigration Office é um serviço paralegal. Não somos escritório de advocacia. Não damos aconselhamento jurídico. Não representamos clientes perante o USCIS. Não escolhemos a estratégia do seu caso e não prometemos resultado — porque ninguém pode.
O que fazemos é uma coisa só, e fazemos bem: preparação documental. Formulário USCIS preenchido e revisado linha a linha, evidência organizada, tradução juramentada, prazo controlado. Máquina conferindo máquina, com um paralegal humano revisando antes de qualquer coisa sair.
Se o seu caso precisa de estratégia — de alguém para olhar a sua história e dizer qual é o caminho —, isso é trabalho de advogado licenciado ou de representante credenciado pelo DOJ. E a gente vai te dizer isso na cara, mesmo que signifique perder o serviço.
Porque a diferença entre um paralegal honesto e um “notário” que promete o mundo não está no preço. Está exatamente aqui: na hora de dizer o que a gente não pode fazer.
Informação educacional, não é aconselhamento jurídico. Prime Immigration Office é paralegal — preparação de documentos. Para orientação jurídica formal sobre o seu caso, procure um advogado licenciado no Texas ou um representante credenciado pelo DOJ.